sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Ladrão de coração

Este coração que vos apresento
Foi roubado durante muito tempo
Por muitas vezes o tomei de volta na hora certa
Mas por outras, o resgatei em pedaços ao relento

Mediante a dores e tentativas
Aprendi a roubar corações carentes e amargurados
Desvendando os segredos de vossas fechaduras
Dando sossego e libertando-os das vaidades

Só não aprendi a mantê-los em essência
Tudo não se torna mais do que temporário
E a semente cultivada, terá que ser arrancada
Antes que aflore uma flor de espinho
Onde sem dor, não é retirada

Dentro da minha urna de delitos
Muitos, não consegui cuidar
Alguns, não tive chances para tentar
E outros, não pretendia realizar

Ninguém nunca veio os tomar de volta
Sempre entreguei cada cativo
Procurando amenizar cada aflição
Cada espinho retirado e cada ferida

Até que então vem uma ladra
No intervalo da minha proteção
Trás desordem e vai embora
E junto dela, meu coração

Assim, a buscarei de volta
E roubarei também seu coração
E mesmo que não dure para sempre
Aproveitarei cada minuto
Desses cem anos de perdão